Sábado, 11 de Julho de 2009

Não tenha medo de apreender

Esteja sempre atento a tudo,
nunca demonstre sua face,
eles não têm face.

Não confie em ninguém que odeia a traição,
pois eles a amam,
apenas encobrem a vontade sonhando acordado.

Tente sempre fazer as coisas ao seu modo
e se possível sozinho,
porque os cabeças duras te pediram favores.
Eles querem que a sua vontade
Se transforme na deles.

Escute mais que fala,
sem olhar nos olhos,
quando você precisar de fato falar,
seu olho estará virgem e a conversa,
não importa qual,
será sincera.

Largue mão dos sábios,
eles são fracos e melodramáticos,
além de tudo,
não tomam atitudes,
e quando as tomam são através da mentira,
sua única arma.
Com a desculpa que ninguém os compreende,
Pensarão ser mal compreendidos,
na verdade estarão sendo claros e puros,
mesmo os céticos e tarados.

Esqueça os ricos,
são pobres de idéias.
Precisam comprar uma nova todo dia.

Aprecie os vencedores,
Os emergentes,
Eles sim,
poderão te ensinar.

Nunca, absolutamente nunca roube,
Nada.
O rato não sabe falar, muito menos pedir,
e você?

Valorize a sorte,
ela está ai,
em algum dos seus bolsos,
a procure direitinho e pare de ser teimoso.
Sem crença não a fé,
um homem sem fé
é imprudente e tem atitudes dignas de um cachorro.
Se você latir e abanar o rabo,
eles te domarão de verdade.

Quando as coisas apertarem,
não sinta-se sozinho,
Se você for esperto lembrará
de Dostoievski,
Jesus, Napoleão e de seu vizinho
que deve até as cuecas pro banco:
Sorrirá com confiança,
se tiver sorte, ou cigarros irá sentir-se poderoso,
pronto para fazer história.

Chore, mas nunca se lembre disso.
Esqueça as lágrimas,
elas tem ódio,
inclusive as lágrimas do riso,
pois são irônicas e infectadas pelo excesso.

Não se idolatre, pois amará a vingança,
os amantes da vingança não apreendem
a esquecer e assimilam tudo,
inclusive a fraqueza,
a infantilidade e o desespero.
Os idolatras vingativos,
São os mais baratos para se comprar,
eles não tem nada para vender,
há não ser eles mesmos.

Sinta sempre pena,
Nunca desprezo, raiva, ou
Ódio daqueles que lhe atingiram,
Atingem, ou atingirão,
Seja qual a força ou proporção,
sempre sinta pena,
pois ao contrário dela,
todos sentimentos motores da vingança
exigem tempo
e isso,
É a única coisa que você não tem sobrando.

Terça-feira, 7 de Julho de 2009

Depois do tempo e da manga, ainda há...

Tenho um poema aqui
com muito mais que você já teve
amor, dinheiro ou fama,
ou apenas uma refeição completa.

Querida,
Eu diria me ame,
Mas não.

Seja sensata,
Use a fé com razão,
Quantos pegaram a sua mão
Como eu?

Ahhh... que mão.
Sua mão, minha mão, nossa mão.

Será que você compreende?

Porque tantas perguntas se já sabemos,
Que eu não consigo fazer você enxergar minha mão como a sua?
Porque é mais fácil perguntar, escrever e amar
Do que ter dedos tão simples e justos
Como os teus, ahhh... dedos meus.

Beijo o vento agora,
Com sua mão na minha fantasia,
E estou disposto a tudo,
por um simples cheiro do seu pescoço...
Ahhh meu pescoço.

Na minha frente uma parede
E estou me escondendo atrás das teclas
Com vergonha de te ligar.

Saudades da boa dor

Hoje o som tocou a porta da minha alma
como sol da manhã no rosto de fugitivo da penitenciaria,
que come um pastel frio,
num posto de gasolina de beira de estrada.

Liguei o rádio e, aquela música que embrulhava o estomago
fez-me sorrir, fiquei livre e perdido como um pássaro
que escapou da gaiola.
O que fazer agora, que o sentimento me deixou e
a liberdade retornou?

Suspirei, virei a fita,
apertei o botão do peito com uma nova canção...
fiquei triste.
Queria aquela dor maravilhosa de volta, que o tempo roubou
de minha memória com preocupações e imediatismos modernos.
Queria que o relógio girasse ao contrário, mas ele não volta,
ele não para.

Tenho saudades de sofrer por amor,
da boa e velha melancolia,
Sentia-me bem com isso e está na hora de a reencontrar.

Adeus terça-feira!
“Ruby Tuesday” toca no velho aparelho de som
enquanto a chuva e as nuvens fechadas
fazem a fotossíntese do poema,
do poeta, da tragédia e do medo,
que me aflige questionando,
pois não sei se é tão fácil voltar a sentir
a boa dor.

Quarta-feira, 1 de Julho de 2009

Davi Jardim

Neste Blog, que fará agora em novembro dois anos, nunca foi postado material nenhum de outros autores. Abro espaço agora, para carta que recebi de um amigo.

Para o amigo Bandini:

Carta testamento de um homem que morreu e acordou para a Vida

foi Bukowski que disse que o bom escritor escreve na merda,
pois só a dor molda a verdadeira expressão,
e Nietzche disse a mesma coisa, só que com outras palavras.
todo homem é vítima de um meio que nega a compreender
sua alma, etc... Não que precisemos da fala deles para
afirmar o que já sabemos, mas tomo só para ilustrar o já sabido.
Sim, há outros motivos para se escrever - o júbilo espiritual,
o júbilo político, o júbilo do amor, mas costumamos escrever
para desabafar, e quando falamos no amor colocamos uma dose
de melancolia; será que precisamos do sofrimento
contínuo para dar vida a poemas? talvez não seja nada disso.
escrevemos para nos igualar aos deuses. de certa forma
idolatramos as palavras mágicas dos grandes caras,
e queremos ser inteligentes como eles, e no meio do caminho
descobrimos que realmente se pode escrever melhor sobre a
desgraça. ser alguém é ser identificado como alguém,
e os escritores são caras sensíveis como nós,
e de certa forma nos sentimos importantes participando
do time de reclamões da vida.
Veja, eu lhe disse que gostava de citar Nietzsche,
e fiz isso até chegar à overdose. Depois escrever
poesia era falar sobre a dor que eu sentia, e fiz isso à exaustão.
E agora o que tinha pra falar saiu de mim. de certa forma
a racionalização do homem segue seus caminhos.
agora é o momento de escutar mais, falar menos,
chutar mais as coisas com o corpo.

Terça-feira, 30 de Junho de 2009

Não mais

Estávamos rindo de nós mesmos quando ele disse:
“não vou mais escrever”.
Fiquei chocado, como ele pode fazer isso tão facilmente?
Não posso dizer que vou parar de respirar, me matar e
Continuar alegre,
Não mais.

“o que você quer fazer agora”? Indaguei.

“sei lá, qualquer coisa. Casar, jogar dominó”. Ele disse.

“você é o único juiz. Você que sabe”. Respondi,
Mesmo sem querer pensar que o cara
Era um fraco, ou pior, estava tentando me esconder algo,
Depois de toda a confiança que depositei nele,
Eu não queria sentir pena dele.
Isso seria inadmissível.
É o pior sentimento que se pode ter de homem,
E se isso fosse fato, ele não poderia mais ser meu amigo,
Não mais.

Corri para não perder o meu ônibus.
Achei uma poltrona legal no meio do ônibus.
Não sentei no fundo para não pensar no passado e no presente
que me acompanha por eu não poder fazer realmente
o que eu queria, mas não devo fazer,
não mais.

Havia uma garota nessa história, nesse ônibus, sabe?
Mas não há,
Não mais.

Ainda assim me senti mal, pois pensei em tudo isso,
Sentado ali naquela poltrona nada acolhedora,
Parecia mais como um iceberg .
Como se fosse a primeira vez, perdido, apavorado,
Com as vozes das pessoas e o rosto belo de uma menina que sentou
Na fileira de bancos ao lado eu peguei um papel e uma caneta da mochila,
Como um suicida pega sua arma e escrevi
um poema que acabei perdendo.

O motorista se aproximou e pediu a passagem.
Pensei no meu ex-amigo, ex-poeta, ex-lutador,
Ex tudo, e disse ao motorista enquanto entregava a passagem:

“frio hoje, dia difícil né chefe”?

Ele deu uma resmungada e foi ligar o ônibus.
Tudo bem, ninguém tem nada haver com meus problemas.
A luz demorou mais que de costume para se apagar.
Mesmo com a luz do corredor apagada não consegui dormir,
Eu tinha letras e palavras formando versos na minha cabeça.

Pensei o quão forte eu devia ser para abandonar as
Minhas companheiras, queridas palavras...
E me passou que meu ex amigo era muito forte
Por ter feito aquilo, mas ele não sou eu,
Não damos valor e nem compartilhamos as mesmas coisas,
Nem ao menos somos amigos,
Não mais.

Best Sellers não trazem felicidade

Hemingway uma vez disse que a felicidade nas pessoas inteligentes era a coisa mais rara de se encontrar, bem, acho que ele estava certo,
Considero-me uma anta, portanto, feliz.
Se a dificuldade é critério de justiça,
Para melhor ou pior,
Creio que é mais duro ser feliz do que inteligente.

Experimente ser você mesmo e acordará na cadeia antes mesmo de fechar os olhos.
Se abstenha da grana, da fama e das dividas para buscar um sonho e nunca mais poderá sonhar.
Tente escrever um romance onde o herói é você e livro nenhum mais fará sentido,
Quando as coisas não fazem mais sentido,
É porque você está perdido.
Quando se está perdido é porque não sabe mais quem você é.
Isso significa a vitória, do capitalismo, da vontade, da mediocridade.

O prazer será sinônimo de felicidade, porque agora você é inteligente,
Trabalhador e não abandonou a meta, que nem ao menos foi você que elaborou.
Mas é mais fácil, é mais fácil ser inteligente que feliz.
A razão toma conta das Universidades mantidas pela religião e os bons costumes,
que despejam milhares de crianças perdidas,
que aprenderam muito mais com Michael Jackson do que o professor de antropologia
durante os anos que estiveram presos ao sistema sem backup.

Eles me enganaram, eles te enganaram,
Eles vão nos enganar, mas podemos nos fazer de João sem braço e continuar
Com um olho aberto e o outro fechado, pois é necessário se fazer de louco,
A falsidade e o acordo são os seus únicos aliados nesta guerra para se manter
Fiel a felicidade, a você mesmo, a razão que eles substituíram pela matemática.

O sol só brilha e esquenta porque é burro, se não mataria a todos nós com uma bomba molotov.
A lua está morta, não presta pra nada e nós a idolatramos, temos energia e lâmpadas,
Mas gostamos de ser guiados pela luz da lua:
Uma pedra, cheia de furos e feia, suspensa no espaço como os intelectuais, milionários inescrupulosos, pessoas sem conteúdo, sem incluir os que não tiveram oportunidade ou escolha, os vazios, aqueles de pedra, sem nada para queimar.

Está tudo errado, incluindo a crítica, que um pedagogo com doutorado disse que agora deve ser construtiva.

Não se pode fazer nada há não ser feliz, com um pouco que é muito.
Abandone o prazer.
Após uma grande refeição, nunca sentiu angústia?
Não idolatre o prazer, ele é apenas uma bengala para mantê-lo de pé
Durante a caminhada.
Desvalorize o prazer e qualquer forma de prazer será justificada e não apenas
Explicada.

E você será burro e completo como um animal
Que não precisa aprender mais nada.
Irá nascer de novo sabendo tudo que precisa.
Eles te enxergarão com alguém sem escolhas, mas tu saberás o que eles estão pensando,
Sorte deles que você não terá mais maldade, ou faria eles trabalharem pra você.

E a sua pena pela humanidade, que não quis te ouvir, lhe trancando no armário
Por muitos anos será ironia para eles, mas você estará feliz e quanto eles comentam:
“nossa, que perdedor, esse cara é um nada”, andando por você na rua,
Ou entrando e saindo do seu taxi, da sua casa, da sua imobiliária, da sua sala de aula, ou da sua escola, do seu bar, da sua cama, do seu escritório, consultório, posto... ou seja, do lugar que você ofereceu a eles para poder ser feliz sozinho, sem deixar que eles visitassem a sua mente,
O seu mundo.

Sábado, 27 de Junho de 2009

Drama da intensidade

De tão pequena e minúscula é infinita,
Como a extensão da palma da minha mão,
Pois sou deus agora,
Dito as regras, leis e normas,
Aqui.

E ninguém poderá me julgar,
A não ser você.

Tudo continua calmo e inóspito.
E mesmo quando conturbado ou com dia a dia deturpado,
Estou a fim de mandar tudo a merda,
Não faço.

As coisas boas e significativas são dificílimas e,
O que é pior:
Não dependem da gente.

Meu mundo é meu mundo,
Eu sou um absurdo,
Eu vejo a vida diferente...
Como você, como ele, como qualquer um.

A anestesia seria simples agora,
Uma facada e último suspiro,
Um tiro e uma vingança,
Tolerância e um desejo.

Tu, aqui,
Olhando pra mim,
Como quem diz:
“porque ele não faz nada?”
Enquanto imagino
O que ela está pensando...

Um ótimo caminho,
Uma temerária vida,
E os abutres?
Esperando por nós.